O preço de voltar a trabalhar

Antes de voltar da licença maternidade e abraçar o mercado de trabalho, vale a pena colocar na balança os prós e contras dessa decisão.

5 a 8 meses

Finanças


O trabalho e a independência financeira são conquistas significativas na vida da mulher moderna. É verdade que os hábitos de consumo das famílias mudaram, exigindo cada vez maior participação de todos na geração de renda, mas além de dinheiro o trabalho também traz muita realização pessoal para as mulheres. Por isso é cada vez mais raro encontrar mulheres que não trabalham fora de casa ou que optam pela “maternidade em tempo integral” depois que os filhos chegam.

Entretanto, retornar ao mercado de trabalho quatro ou seis meses após a chegada do bebê não é tarefa fácil. Além da luta para ajustar o relógio biológico do bebê com o horário comercial, a recém mamãe precisará montar uma estrutura que a ajude a equilibrar os papéis de mãe e profissional.

Começando pela casa: Se antes você trabalhava o dia inteiro e aproveitava a noite e os fins de semana para limpar, cozinhar, lavar e passar, saiba que o bebê irá tomar todo seu tempo “livre” e a casa vai ficar em segundo plano. E bem agora que seu bebê precisará da casa limpinha, das roupas lavadas e da comidinha caseira. É o momento de dividir as tarefas da casa entre pai, irmãos e avós ou contratar uma ajudante. Com carteira assinada, claro.

Durante a semana: Enquanto você trabalha, alguém precisa ficar com o bebê. Se alguma das avós estiver disponível para ajudar, você precisará apenas arcar com despesas de transporte, alimentação e talvez uma ajuda de custos. Mas se essa não for uma opção da sua família, terá custos significativos com uma creche ou babá de confiança.

Nos fins de semana: Você passou a semana longe do bebê e agora quer compensar sua ausência com passeios, brinquedinhos, roupinhas novas e outros mimos. Será que esses gastos seriam menores se você estivesse todos os dias com seu filho, aproveitando cada momento?

Os custos financeiros de voltar a trabalhar após a chegada do bebê são significativos no orçamento de qualquer família, mas não são os únicos. Há custos emocionais, como preocupação, culpa, raiva ou frustração, que podem afetar a sua saúde e qualidade de vida. A ideia não é convencê-la a abandonar a vida profissional após a chegada de um bebê, mas provocar sua reflexão sobre os prós e os contras da decisão de voltar imediatamente após a licença. Aí vão algumas perguntas para você refletir:

  • Seu trabalho lhe traz satisfação e realização pessoal ou é apenas fonte de renda?
  • A renda obtida com esse trabalho supera os gastos totais que você terá para retornar?
  • A empresa onde você trabalha oferece opções de jornada parcial ou trabalho em casa?
  • Qual é maior renda da casa?
  • Outra pessoa da família poderia assumir o papel de cuidar da casa e do bebê enquanto você trabalha?

Após refletir sobre essas questões, converse com sua família e abra a mente para alternativas. Nem sempre é a mãe que precisa sair do emprego para cuidar dos filhos, muitos pais atualmente assumem esse papel. E se esta não for a opção para qualquer um dos dois, lembre-se de incluir no orçamento todos os custos que terão após a licença maternidade.


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Para conhecer sobre os direitos trabalhistas da gestante e após o parto, leia o resumo do artigo 392 da Consolidação das Leis do Trabalho


Publicado por Andy de Santis

Educadora, autora e consultora de projetos para instituições públicas e privadas nas áreas de educação financeira, ética, sustentabilidade, gestão e liderança, é mestre em educação, especialista em sustentabilidade e graduada em comunicação social.